O tema da Inteligência Artificial foi muito debatido, o que faz sentido numa era digital e onde se discutem estratégias pioneiras para o ensino. No debate, referi que o professor não está limitado às aulas que tem de dar mas a um conjunto de burocracias, relatórios, projetos e avaliações. Talvez com o aprofundamento do recurso ao ensino digital tudo isto se possa facilitar. O próprio conceito de tempo no paradigma Onlife pode ser aqui visto de uma outra forma e a Inteligência Artificial vem trazer ferramentas para aprimorar as nossas tarefas, daí que vejo os recursos digitais como mais valias para a otimização do nosso trabalho.
Nesse âmbito e na questão da responsabilidade do professor em fazer uma boa curadoria e de usar a IA para gerar imagens a seu pedido, partilhei um exemplo cómico de um pedido à IA para a criação de uma imagem que relatava o Bill Gates a instalar o Windows (janelas) (Bill Gates installing Windows). É claro que isto foiuma piada, mas reflete de certo modo que o professor não passa a ser ignorante com a chegada da IA, pelo contrário, ele detém o conhecimento para utilizar a IA da forma correta de maneira a que ela gere o pretendido muito rapidamente, com eficácia e sem erros como este abaixo.
Ainda no debate, acrescentei algo que julgo que se enquadra no que os meus colegas estavam a comentar sobre o tema que tem a ver com o que disse numa entrevista ao New York Times, o Ted Sarandos (co-CEO da Netflix), citando: “A Inteligência Artificial não vai substituir o teu trabalho. A pessoa que usar bem a Inteligência Artificial é que provavelmente vai substituir o teu trabalho.”
Também numa sessão síncrona o tema da IA foi debatido como um potencial mecanismo de ajuda aos professores. O professor J. A. Moreira referiu a IA como um elemento facilitador do ensino e deu o exemplo de como a IA pode ajudar a economizar o tempo dos professores, que é ao longo dos tempos uma enorme razão de queixa por toda a unidade docente. Também sobre a questão do vídeo se analisou como a IA virá facilitar a questão de todo o processo de edição, deixando as tarefas mais técnicas para a própria IA e deixando para os professores a tal questão da curadoria, de saberem seleccionar corretamente, planificando o vídeo de acordo com o planeado para a aula, introduzindo assim o vídeo como um elemento que visará num processo bem planeado, trazer uma enorme mais valia ao ensino, por todos os motivos já analisados nesta Unidade Curricular 4.
No Tema 2 - Modelo Pedagógico para a desconstrução de imagens em movimento da Unidade 4 - Tecnologias de Imagem, Áudio e Vídeo, o professor J. A. Moreira, fala-nos através de um vídeo no Youtube, de um modelo que desencadeia uma série de atividades que se vão desenvolvendo para alcançar os objetivos. Todos os formandos da Pós-Graduação tiveram a oportunidade de comentar e debater sobre esse modelo, dando a sua opinião.
Assim, como nos relata o professor, são cinco os pilares fundamentais do Modelo Pedagógico para desenvolvimento de atividades centradas na desconstrução de imagens em movimento:
Em relação ao primeiro pilar fundamental do Modelo, o professor, J. A. Moreira refere a importância do cariz humanista nas experiências educacionais, ou seja, a importância do professor e do aluno. Uma vez mais, é neste prisma que a Inteligência Artificial não vai, pelo menos por agora, substituir os humanos e a sua componente humana, por mais tecnologia que exista. Como o orador diz, “as tecnologias não são os elementos nucleares mas sim elementos mediadores importantíssimos porque estamos a utilizar uma educação digital…”.
Em relação à construção que se consegue com a colaboração, tive a oportunidade de comentar que a colaboração entre todos os intervenientes num modelo pedagógico só o enriquece, transforma e o faz evoluir. Infelizmente não é isso que se passa em muitos casos reais, pois ainda vemos o professor a trabalhar muito para si mesmo mas julgo que quando mais digitalizado for o ensino, mais isso tenderá a não ocorrer, pela própria facilidade de partilha de materiais e conhecimentos, senão veja-se o modelo aberto que temos nesta Pós-Graduação, onde tudo é discutido de forma aberta, onde é permitido retirarmos ideias dos Portefólios dos nossos colegas e onde a entreajuda é sempre presente.
Em relação ao quarto princípio do Modelo Pedagógico, é-nos trazida a perspetiva da vantagem da utilização de diferentes formatos. Esta diversificação de multiliteracias assume diferentes perspetivas de formatos multimédia e diferentes panoramas audiovisuais e esta multiplicidade de recursos vai enriquecer o desenvolvimento das atividades. Tive a oportunidade de referir no debate a questão da tarefa árdua que os professores vão ter de fazer para desenvolver materiais digitais mas a questão da diversificação e que pode ser atenuada com os princípios atrás referidos, ou seja, a aprendizagem colaborativa e a aprendizagem baseada na interação.
Finalmente, em relação à aprendizagem baseada na flexibilidade acaba por ser também um exemplo daquilo que tem sido a nossa Pós-Graduação pois a disponibilidade temporal do estudante é tida em conta, e a comunicação assíncrona possibilita isso mesmo, dando a oportunidade ao estudante para se inteirar das leituras dos recursos disponibilizados, processamento da informação e após isso, a reflexão e diálogo nas salas assíncronas.
Referências:
Moreira, J. A. (2017). A Pedagogical Model to Deconstruct Moving Pictures in Virtual Learning Environments and its Impact on the Self-concept of Postgraduate Students. Journal of e-Learning and Knowledge Society, 13(1), 77-90
No âmbito da Unidade Curricular 4 - Tecnologias de Imagem, Áudio e Vídeo, no Tema 1 - "A linguagem audiovisual e o seu potencial em ambiente educativo", lecionadas pelos professores José António Moreira e Magda Teixeira, foi lançada uma questão no pertinente à qual eu e os meus colegas tentamos responder, debatendo sobre o assunto de uma forma muito interessante. A questão era: "Faz sentido, no contexto atual do paradigma da educação digital em rede, incorporar a linguagem audiovisual e desenvolver pedagogia (s) da imagem?"
Tentei então responder, abrindo o debate e dei a seguinte opinião:
Se os alunos estão em constante contacto com a linguagem audiovisual, faz todo o sentido que se faça este acompanhamento indo ao encontro dos seus interesses numa perspetiva apelativa. Não obstante, o mundo do audiovisual está, ainda que sempre presente na nossa sociedade, longe de ser acessível ao professor atual do ponto de vista da criação de recursos, em comparação e contraste com o ensino de papel e caneta. Aqui, há que admitir que vai ser necessária formação de qualidade para os professores, para que esta criação de recursos audiovisuais e de análises iconográficas seja feita num âmbito de sensibilização para a importância da utilização dos recursos que contém esta linguagem audiovisual, daí a formação para uma “literacia audiovisual”, como nos fala J. António Moreira no seguinte vídeo:
Contudo, a evolução da tecnologia não pára nem um segundo e eu lancei uma questão relacionada com a concentração dos alunos que se prende com a própria utilização destes recursos audiovisuais: os vídeos que eles vêem estão cada vez mais curtos e sucintos. Até isto é um desafio para o professor. Em suma, esta pedagogia da imagem deve ser utilizada num contexto se encontrar no mundo dos alunos e visando promover a sua educação, trazendo com isso mais valias, gerando reflexões e de uma forma construtiva, possibilitar uma educação moderna, ligada ao audiovisual.
Nessa perspetiva, os meus colegas deram respostas e enquadramentos muito pertinentes sobre a questão do tamanho dos vídeos e sobre a pedagogia da imagem bem como os desafios e contrariedades que tendem a existir neste mundo do enquadramento do audiovisual no ensino.
Menciono a resposta do meu colega Pedro Paulo, que deu uma resposta muito positiva em relação ao que acha sobre o assunto, que achei pertinente partilhar:
Por outro lado, a colega Marisa Sousa, deu a sua opinião, fundamentada, e aborda uma questão que eu se calhar não tinha pensado bem e que me fez refletir. De facto, no ensino os alunos vão variar os nossos instrumentos motivadores na sala de aula, e estes podem resultar para determinados público-alvo, ou não. Deixo aqui a opinião da colega e a minha resposta:
Também no fórum, achei importante referenciar “A Framework for Film Education”, que aborda o conceito de literacia fílmica que, não pretende standardizar o conceito de cinema na educação, mas sim criar modelos práticos, adaptados à realidade das necessidades e interesses de cada país, na Europa.
Este documento visa inspirar e preparar as pessoas em toda a Europa para que possam aceder, desfrutar, compreender, criar, explorar e compartilhar filmes em todas as suas formas ao longo das suas vidas e pode ser consultado aqui:
Moreira, J. António, Tópico 1 - A linguagem audiovisual e o seu potencial em ambiente educativo. Youtube, 18/05/2017. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=2qUUsm5X1SA
No âmbito da Unidade Curricular 4 - Tecnologias de Imagem, Áudio e Vídeo, lecionadas pelos professores José António Moreira e Magda Teixeira, foi abordada a importância do recurso audiovisual no ensino. Desta forma, não podia deixar passar a oportunidade de criar um pequeno vídeo que resume de forma muito sucinta o Modelo pedagógico para a desconstrução de imagens em movimento proposto por J. António Moreira (2017).
Referências:
Moreira, J. A. (2017). A Pedagogical Model to Deconstruct Moving Pictures in Virtual Learning Environments and its Impact on the Self-concept of Postgraduate Students. Journal of e-Learning and Knowledge Society, 13(1), 77-90
Abordando a Unidade Curricular 4 - Tecnologias de Imagem, Áudio e Vídeo, analisamos assim as possibilidades do audiovisual no ensino.
Por mais que o professor seja competente na criação de recursos audiovisuais, se não obedecerem a critérios pedagógicos e não tiverem objetivos definidos, não vão alcançar os objetivos pretendidos no processo de ensino/aprendizagem. Por exemplo, a introdução de um filme no início da aula para depois se efetuar uma análise, crítica, reflexão ou debate será uma metodologia a analisar consoante os objetivos pretendidos, a turma em questão e a planificação cuidada da aula. O recurso audiovisual pode assim ser assumido como um recurso pedagógico, se bem estruturado, planeado e apoiado. Um outro exemplo que é uma ficha de visualização de um filme, visará que os alunos façam uma análise/resumo do que viram, criando reflexões sobre o tema do filme. Mais do que isso, como é descrito por si mesmo no documento “Linguagem cinematográfica e audiovisual em contexto educativo”, “o vídeo deve ser entendido na sua dupla vertente de objeto de estudo e de recurso pedagógico” (Moreira, pp. 8). Neste seguimento, o autor aborda as possibilidades didáticas de Ferrés, sendo elas as seguintes:
Há portanto que definir um modelo pedagógico, adequá-lo à turma/público-alvo em questão, de modo a que a atividade utilizada com o recurso ao audiovisual seja "motivadora, envolvente e intencional", promovendo a aprendizagem.
Referências:
Moreira, J. A. (2021). Linguagem cinematográfica e audiovisual em contexto educativo. São Carlos: Grupo Horizonte – UFSCar.
FERRÉS, J. Vídeo e Educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.